Dia frio e chuvoso e cá estou a “mastigar” o último final de semana.

Sexta, sábado e domingo cheios de informações e vivências. Sai desses dias meio que atordoada, ora me sentindo feliz pelas constatações e descobertas, ora sentindo-me paralisada e pouco atuante na busca pelo meu crescimento.

Paro, penso e reflito: O que, de verdade, busco?
Esse questionamento leva, necessariamente, a uma desconexão total a fim de tomarmos posse da nossa individualidade. E percebam que não pontuo a desconexão como algo direcionado; desconexão do mundo material, desconexão do seu lado profissional ou qualquer coisa parecida, mas a DESCONEXÃO total – o mergulho no vazio de si mesmo.

Não uso aqui o termo “meditação” propositadamente, já que existem tantas técnicas, posições corporais, condicionamentos e conceitos ao redor da meditação que acabariam por sabotar a proposta de desconexão que apresento. Nessa desconexão não cabe nenhuma espécie de julgamento, é só uma busca interior de respostas individuais.

Buscar um sentido nobre e significativo para a vida é bom, saudável e necessário, acrescento ainda que deve ter uma certa regra ou senso ético talvez. A busca  quando passa a ser fonte de conflito entre nós e o meio em que vivemos, quando causa dor ou enfrentamentos deve ser revista, redirecionada.

É comum incorrermos em equívocos sutis quando nos propomos a viver conscientemente, focamos algumas técnicas espiritualistas como verdades imutáveis e com as frustrações decorrentes jogamos por terra o aprendizado e começamos novamente a buscar. Frustrados temos a propensão a mudar radicalmente de rumo podendo nos transformar em descrentes dessas “bobagens ilusórias”; se muito materialistas não estaremos livres das frustrações, outra vez nos rondando, tirando de nós certezas absolutas quando nos deparamos com experiências tão concretas quanto inexplicáveis a nos informar que viver é algo mágico e além da nossa compreensão.

Creio que a sabedoria consiste em não nos submetermos aos dogmas declarados ou subliminares.

” Somos todos um” é uma verdade comprovada , mas uma verdade mais importante ainda é que o “todos um” é constituído do “um a um”. Somos os que plasmamos, criamos, vibramos; é uma realidade que, consequentemente, leva a outra: a sua dor, o seu sentir, a sua necessidade é REAL e transmutar isso em paz, tranquilidade, fé e bem-estar não é tarefa fácil e nem mesmo oportuna em determinados momentos.

Com a “enxurrada” de informações, muitas vezes superficiais e inconsistentes que atualmente estamos sujeitos e imersos percebemos uma tendência a simplificar os processos evolutivos que a vida nos proporciona. Técnicas simples aprendidas em cursos rápidos podem ser interpretadas como “mágicas” para alcançar a paz, quando na verdade elas são pequenos degraus a nos impulsionar a buscar mais e mais. A simplicidade do aprendizado exige comprometimento em entender profundamente como é o processo – Ensinar um bebê a falar não nos faz acreditar que falar seja só abrir a boca. Existe por trás da fala todo um processo mental e estrutural. Para o bebê é adequado que ele acredite que seja só ter a intenção e abrir a boca. Para o homem adulto espera-se mais!

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"Tratando as pessoas como elas são, tornamo-las piores; tratando-as como devem ser, ajudamo-las a se tornarem o que elas são capazes de ser." | Goethe

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