Falo sempre sobre os meus pensares, minhas buscas e, principalmente, sobre minhas observações cotidianas.

Acredito que a sabedoria consiste em transportar para o dia-a-dia todo conhecimento adquirido em textos, pesquisas e qualquer outra forma de aprendizagem. Ainda teimo em definir aprender como algo diferente de saber; aprender implica em mudanças comportamentais individuais. Não tem como aprender qualquer coisa que seja e permanecer o mesmo, acho eu.
Em  reunião de um grupo ao qual pertenço, desde janeiro reunidos às segundas-feiras, surgiu a questão :

O que é ter consciência?

Discutimos e demos uma pincelada sobre o tema, que a princípio já sinalizou ser amplo e complexo. Chegamos a um consenso, mas como já é hábito “rumino” por longo tempo temas que possam me levar a um maior preparo na função de Coach.

Pensando sobre dois clientes, de personalidade e buscas distintas, percebi em ambos um mesmo “vício” – o de buscar “ferramentas” (virou modismo essa expressão e, consequentemente, perdeu muito do seu significado e aplicação terminológica dentro de alguns processos) para resolver aprendizagens que eles, inconscientemente, se negam a buscar.

Sobra neles o QI ( Quociente Inteligencia), o QE (Quociente Emocional) vai “capengando”, o bloqueio está no QS (Quociente Espiritual), a partir dessa premissa passei a questionar e buscar mais informações sobre QS.

Podemos iniciar avisando aos mais incautos que QS não se trata de religião, ou mesmo a crença em um ou mais deuses. O Quociente Espiritual tem muito do conceito de sair do Ego e passar a senti-se parte de um TODO. É nesse contexto que encontraremos a chamada CONSCIÊNCIA.

Todo indivíduo tem, a priori, três tipos de inteligências:  QI ligada à razão, QE ligada à emoção e QS ligada à espiritualidade.

Sendo que as duas primeiras estão vinculadas ao processo de ação e reação, à fuga e agressão, positivo e negativo. A QS diz respeito à capacidade do indivíduo de não agir ou reagir de pronto. O Quociente Espiritual nos permite, quando consolidada, enxergar com distanciamento um fato que nos atinge, refletir sobre ele questionando sobre sua origem, desencadeamento e consequência.

Complexo, não é?

Complexo como qualquer sensação ao ser descrita com palavras escritas, não tão complexo em uma conversa informal entre indivíduos buscadores.

Tentando Simplificar:

As notas que eu interpreto não são melhores do que as de muitos pianistas. mas as pausas entre elas – ah, esse é o ponto em que a arte reside.

                                                                                                          pianista Artur Snabel

Começando de trás para a frente, proponho pensar nessa frase e traçar um paralelo com nossa maneira de viver.

Falaremos sobre “pausas” na música da vivência pessoal.

Observe que, propositadamente, não digo vida, já que daria margem para discorrer sobre vida como processo amplo que nunca cessa, opto por vivência que nos remete ao caminhar ou perambular pela vida.

Creio nessa alternância de caminheiros e perambulantes como situação real e produtiva que nos colocamos experimentando o viver.

Caminhar – poderemos considerar como o ato de executar a nota da partitura .

Perambular – figurativamente será a pausa entre uma nota e outra. Pausas necessárias, nem sempre prazerosas, mas sempre oportunas.

São as pausas que nos trazem os elementos para transformar nossas vivências em verdadeiras “obras de arte”. Infelizmente nós não utilizamos nossas pausas da melhor maneira e como consequência temos uma vida muito aquém da magnitude a que fomos fadados.

Apesar da abordagem ligeira, esse assunto pode nos proporcionar verdadeiros saltos em direção à paz e realização pessoal.

 Para uma melhor compreensão do tema – Pausa –  devemos conceituar o que chamamos de pausa: Considere que você seja um pianista – o melhor do mundo.

Observe a partitura e veja que as pausas determinam  o ritmo, na pausa você está mais atento e a sua platéia está em suspense para ouvir a próxima nota.

Esse é o segredo!

Caminhamos através de experiências variadas, mas vez por outra nos deparamos com a sensação de estarmos perambulando.

A busca, a dor, a frustração, a mágoa, a ira, entre outras emoções, nos tiram da direção do caminhar.

Sentimo-nos perdidos.

Deparamo-nos com o passado a nos espreitar e num momento de fragilidade, saltar à nossa frente recordando-nos de dores antigas. Outras vezes o medo, a culpa, nos paralisam a caminhada querendo que acreditemos que o futuro é tenebroso, ou nas melhores das hipóteses, incerto.

Essas são as pausas que permeiam as notas que compõem a música da VIDA, da nossa vida, e cada um tem as suas próprias pausas.

O que faremos com elas é que transformarão, ou não, a nossa vivência em uma obra de arte. Somos o pianista que executa a  música, colocando as pausas necessárias para que o público perceba a emoção que quer passar. O que a música provoca na platéia é a soma  e alinhamento dos elementos notas musicais, pausa e pianista, resultando em um sentimento que transcende a individualidade, proporcionando sensações de encantamento. Espiritualidade!

Releia o texto e pense sobre “notas musicais” como QI (ciente/razão), “pausas” como QE (ciente/emoção), “pianista” QS (consciente/espiritualidade). É missão do pianista QS alinhar a QI com a  QE para que, dominando o seu instinto, possa beneficiar a platéia com uma bela audição.

E você está consciente da sua missão ou apenas ciente dela?

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"Tratando as pessoas como elas são, tornamo-las piores; tratando-as como devem ser, ajudamo-las a se tornarem o que elas são capazes de ser." | Goethe

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